Publicado em: 04/11/2013 ás 10:26:00 Autor: Rui Wolfart/Engenheiro Agrônomo Fonte: Do Agrodebate
Movidos por essa segurança inquebrantável denominada instinto e confiança, milhares de produtores migraram para Mato Grosso nas décadas de 1970/1980. Essa migração foi embalada por políticas públicas que tinham credibilidade. Todavia, sem se aperceberem, os novos horizontes econômicos e políticos fizeram desandar, já a partir de 1986, as promessas públicas das obras redentoras à produção agrícola.

A mais importante delas, o asfaltamento da BR-163, era emblemática pelo fato de se traduzir em condições de escoamento da produção até Santarém – PA. De lá, o frete fluvial e marítimo colocaria o estado em condições vantajosas na competição pela “captura” dos preços internacionais da soja em relação ao Sul. Na época, os estudos governamentais sinalizavam a crescente importância do Centro-Oeste na produção agrícola nacional, além de efetivar a ocupação do território brasileiro, face os continuados rumores dos interesses norte-americanos sobre a Amazônia, então respaldados pelos estudos da Rand Corporation.

Os anos correram céleres, os sonhos ficaram pálidos, os cabelos embranqueceram e os olhares ficaram embaçados. Brasília consegue avaliar os prejuízos provocados pela demora na conclusão dessa obra? Só os financeiros cobririam com folga o déficit em Transações Correntes de 2013, que irá para os 80 bilhões de dólares. No entanto, o maior prejuízo é de difícil contabilização: o emocional, oriundo da perda de vidas humanas, que diariamente são ceifadas nessa BR-163. Tantas e tantas assombrosas mortes, não só pela falta de pavimentação e acostamento, mas hoje pela falta de duplicação dessa rodovia, que sofre de uma estranha septicemia, formada por cordões contínuos de caminhões, que ao menor descuido ou imprudência redunda na destruição de vidas.

Não é hora de invocar o Artigo 5º da Constituição Federal (direito de ir e vir), ainda mais, que depois de tantas promessas, inopinadamente surge uma privatização envergonhada, no dia 27 de novembro, com o leilão de “concessão” da BR-163? Ante o desinteresse dos eventuais concessionários, o Governo Federal aumentou o preço da cobrança do pedágio por eixo, para cada 100 quilômetros, de R$ 3,17 para R$ 5,50, isto é, um aumento de 73,5%, previsto em edital.

De Sinop até a divisa de Mato Grosso do Sul o pedágio a ser pago por uma carreta nove eixos será de R$ 420. Até o entreguista governo FHC não ousou privatizar essa rodovia, respeitando o singelo argumento de que a produção nela transportada era de baixo valor agregado. Nos tempos atuais tal constatação é respaldada pela comercialização do milho. O preço pago ao produtor é de R$ 10/saca, enquanto o frete pago até Paranaguá é de R$ 16/saca.
Onde está o cumprimento das promessas feitas pelo Governo Federal, quando tantos foram atraídos para cá? Por que esse silêncio político-institucional sobre o neocolonialismo assentado na privatização de rodovias federais e estaduais em Mato Grosso e do desacato à Constituição?
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